segue secreto entre os antigos gestos
a embaraçar os cabelos em distâncias
e atravessar a noite
emoldurado
por uma harpa de sombras descendentes
segue calado um ímã
desmagnetizado
Quarta-feira, Julho 08, 2009
Domingo, Julho 05, 2009
andorinhas
Quarta-feira, Julho 01, 2009
romance

impossível imaginar que alguém
pudesse lançar raízes secretas
nas veias de outra pessoa
e começasse a falar por sua boca
ver o mundo de seus olhos
e plantasse insuspeitado uma semente
do mais ineludível dos desejos
em sua vontade
até que
todo brotado de rosas e raízes
hera e jasmins monitorando o hálito
ele investisse a vida
os gestos penhorados
e emaranhasse o próprio enleio às pernas dela
pelo tempo dos espelhos combinados
Domingo, Junho 28, 2009
intemperanças
de onde veio
a chuva da distância
entre umidades alísias e monções
trouxe consigo o céu rachado em luzes
entreaberto
sem no entanto deixar que seja vista
a túnica dos anjos
trouxe paredes de água e
um vento persistente
mas obscuro
desempregado operário
depois da obra completa
o desmantelo e a enchente
consumados
intemperanças forçam as vidraças
do quarto para onde os anjos se mudaram
a chuva da distância
entre umidades alísias e monções
trouxe consigo o céu rachado em luzes
entreaberto
sem no entanto deixar que seja vista
a túnica dos anjos
trouxe paredes de água e
um vento persistente
mas obscuro
desempregado operário
depois da obra completa
o desmantelo e a enchente
consumados
intemperanças forçam as vidraças
do quarto para onde os anjos se mudaram
Quarta-feira, Junho 24, 2009
meta
Sábado, Junho 20, 2009
...
mas é aqui
: descemos ao mais tenro
e não se volta à tona
depois disso
aqui
os quintais são cinzentos
e se ouvem outros sons
que não o canto de estimação dos pássaros
dourados
e quando se consegue chegar a esse fundo
de quintal e poeira
e escadaria
o tempo nem mais importa a nossos pés
o tempo
é um registro desigual
nem armadilha
nem prêmio
e é sem volta
: descemos ao mais tenro
e não se volta à tona
depois disso
aqui
os quintais são cinzentos
e se ouvem outros sons
que não o canto de estimação dos pássaros
dourados
e quando se consegue chegar a esse fundo
de quintal e poeira
e escadaria
o tempo nem mais importa a nossos pés
o tempo
é um registro desigual
nem armadilha
nem prêmio
e é sem volta
Segunda-feira, Junho 15, 2009
...

a noite nunca é a mesma
em todas as ruas da cidade
quando
por entre as copas e o teto mais distante
se apaga o dia
ao som do apito dos barcos pelo rio
viu na cidade tantas outras noites
e tantos gritos entre os muros frios
viu edifícios insones
e caminhou na sombra
olhando as lâmpadas desfolharem o rio
esteve entre mesas
vultos copos vozes enlaçadas
galhos de hera crescendo
do silêncio que os dissolve
as armadilhas tecidas pelo tempo
à meia-luz pintam painéis imensos
lembranças falsas de vidro
brasas do mesmo cigarro
quando chegar outro dia
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